Abstract in English:
The Acinetobacter calcoaceticus-Acinetobacter baumannii (Acb) complex is a major concern in veterinary medicine due to its intrinsic resistance to various antimicrobial agents, including ampicillin, amoxicillin, amoxicillin-clavulanate, and carbapenems. The increasing prevalence of multidrug-resistant (MDR) strains, particularly those producing extended-spectrum beta-lactamases (ESBLs) and carbapenemases, has been observed in animals, with a significant number of urinary tract infections being associated with these pathogens. The present study identified Acb complex strains harboring one or more resistance genes for ESBL and carbapenemase production, highlighting the growing issue of bacterial resistance in veterinary clinical practice. Phenotypic resistance profiling revealed that some Acinetobacter complex strains can hydrolyze a wide range of beta-lactams, including penicillins and third- and fourth-generation cephalosporins, while remaining resistant to cephamycins and carbapenems. Most of the ESBLs belong to Ambler’s class A, and these enzymes can be inhibited by clavulanic acid, sulbactam, tazobactam, and avibactam. The spread of these resistant strains is largely attributed to clonal expansion and horizontal gene transfer, with CTX-M, SHV, and TEM-derived ESBLs being the most clinically significant. Despite advances in molecular diagnostic methods, correlating phenotypic and genotypic data remains a significant challenge. The present findings highlight discrepancies between the phenotypic resistance patterns and the presence of resistance genes, illustrating the complexity of diagnosing and treating infections caused by Acinetobacter species. Further studies are necessary to better understand the mechanisms of resistance, improve diagnostic accuracy, and address the increasing threat of MDR bacteria in the veterinary field.
Abstract in Portuguese:
O complexo Acinetobacter calcoaceticus-Acinetobacter baumannii (Acb) é uma grande preocupação na medicina veterinária devido à sua resistência intrínseca a diversos agentes antimicrobianos, incluindo ampicilina, amoxicilina, amoxicilina-clavulanato e carbapenêmicos. A crescente prevalência de cepas multirresistentes (MDR), especialmente aquelas produtoras de beta-lactamases de espectro estendido (ESBLs) e carbapenemases, tem sido observada em animais, com um número significativo de infecções do trato urinário associadas a esses patógenos. O presente estudo identificou cepas do complexo Acb que abrigam um ou mais genes de resistência responsáveis pela produção de ESBLs e carbapenemases, destacando o crescente problema da resistência bacteriana na prática clínica veterinária. A análise fenotípica da resistência revelou que algumas cepas do complexo Acinetobacter são capazes de hidrolisar uma ampla gama de beta-lactâmicos, incluindo penicilinas e cefalosporinas de terceira e quarta geração, permanecendo resistentes às cefamicinas e aos carbapenêmicos. A maioria das ESBLs pertence à classe A de Ambler, e essas enzimas podem ser inibidas por ácido clavulânico, sulbactam, tazobactam e avibactam. A disseminação dessas cepas resistentes é atribuída, em grande parte, à expansão clonal e à transferência horizontal de genes, sendo as ESBLs derivadas dos genes CTX-M, SHV e TEM as mais clinicamente relevantes. Apesar dos avanços nos métodos moleculares de diagnóstico, correlacionar os dados fenotípicos e genotípicos ainda é um grande desafio. Os achados deste estudo evidenciam discrepâncias entre os padrões fenotípicos de resistência e a presença de genes de resistência, ilustrando a complexidade do diagnóstico e tratamento de infecções causadas por espécies de Acinetobacter. Estudos adicionais são necessários para compreender melhor os mecanismos de resistência, melhorar a precisão diagnóstica e enfrentar a crescente ameaça das bactérias multirresistentes no campo veterinário.
Abstract in English:
The emergence and spread of resistance to antimicrobials is one of the three main threats to public health in the 21st century. It must be analyzed using an integrated One Health approach, as it is a health risk shared by people, animals, and the environment. Among these, the necropsy space represents a point of cohesion, being an extremely relevant place for research and understanding the circulation of the bacterial microbiota and its resistance genes. The present study evaluated the occurrence of superbugs in samples from animals necropsied at the Federal Rural University of Rio de Janeiro, considering the priority criteria established by the World Health Organization (WHO). Of the 198 samples collected from 45 animals, 20 pet animals, 20 production animals and three wild animals, 325 strains were isolated, of which 51.38% (167/325) were Enterobacterales, 31.69% (103/325) Staphylococcus spp., 12.62% (41/325) Enterococcus spp., 2.46% (8/325) Streptococcus spp. and 1.85% (6/325) non-fermenting Gram-negative bacilli (NFGNB). In 29.13% (30/103) of Staphylococcus spp., the blaZ gene was detected, and in enterobacteria, the presence of blaSHV was detected in 10.18% (17/167), blaTEM in 6.59% (11/167) and blaCTX-M-1 in 4.19% (7/167). These results reveal the occurrence of species characterized as critical superbugs by the WHO in the necropsy environment and reinforce the need to monitor these strains in the veterinary environment not only for the adoption of appropriate control and treatment measures for animals but also for the implementation of protocols safe for the disposal of their carcasses.
Abstract in Portuguese:
O surgimento e a disseminação da resistência aos antimicrobianos é uma das três principais ameaças à saúde pública no século XXI, e deve ser analisado em uma abordagem integrada de Saúde Única, por se tratar de um risco à saúde compartilhado por pessoas, animais e meio ambiente. Dentre estes, o espaço de necropsia representa um ponto de coesão, sendo um local de extrema relevância para pesquisa e compreensão da circulação da microbiota bacteriana e seus genes de resistência. O presente estudo avaliou a ocorrência de superbactérias em amostras de animais necropsiados na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, considerando os critérios de prioridade estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Das 198 amostras coletadas de 45 animais, sendo 20 animais de companhia, 20 de produção e três selvagens, foram isoladas 325 cepas, das quais 51,38% (167/325) foram Enterobacterales, 31,69% (103/325) Staphylococcus spp., 12,62% (41/325) Enterococcus spp., 2,46% (8/325) Streptococcus spp. e 1,85% (6/325) bacilos Gram-negativos não fermentadores (BGNNF). Em 29,13% (30/103) dos Staphylococcus spp. houve detecção do gene blaZ e nas enterobactérias detectou a presença de blaSHV em 10,18% (17/167), blaTEM em 6,59% (11/167) e blaCTX-M-1 em 4,19% (7/167). Esses resultados revelam a ocorrência de espécies caracterizadas como superbactérias críticas pela OMS em ambiente de necropsia e reforçam a necessidade de monitoramento dessas cepas no ambiente veterinário não apenas para a adoção de medidas de controle e tratamento adequados dos animais, mas também para a implementação de protocolos seguros para o descarte de suas carcaças.